segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Em nome da Vida,por RAAD

Sangraram  uma pequenina flor na porta do palácio
Beberam o sangue de um menino verde
               enquanto ele dormia
Fizeram um festim de bodas com as vísceras ancestrais dos meus avós
Colocaram os meus sonhos à venda e quando vi,
           não tinha mais sonhos
Voltei sobre  os meus passos e minha casa
           já não existia

Meu irmão,morto em efígie,não pode me defender
Por ordem do rei,mataram uma pequenina flor
               na porta da igreja
Na frente dos santos
Por ordem dos heróis,mataram uma pequenina flor,
na frente dos anjos
Por ordem de Deus,beberam o sangue
                      do menino verde ,enquanto dormia
E os palácios permaneceram intactos
E as igrejas entoaram cânticos no altar do sacrifício
Das crianças enquanto dormiam
Das flores,enquanto sangravam       helenice maria reis rocha

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CANTO LIV

CANTO LIV

Dizer não canta,soa

captura de uma voz sempre
adiada

Os espinhos da palavra
            germinam
Os fios da fala não se calam

A palavra fere ou acaricia
Solerte equação do verbo

Essa voz viaja um longo
                  vôo

pelas esquinas do silêncio
             e dos discursos

Antiga litania de gritos
             ou murmúrios

a geografia desse verbo
               fere espaços

sangra e escoa

helenice maria reis rocha

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Minha Amada

 O tempo voa como folhas

de papel ao vento
dentro dos minutos e das
horas

não tenho pressa nem demora
nem a devoração das esperas
me paralisa

minha mãe ouve minha poesia
com a humildade das gueixas

sem queixa
sofre de dores severas na

espinha

e canta

helenice rocha

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sol

Sol

Teia iluminada

uma trama muda invade
              o sol do meio dia

As horas param
A urdidura do silêncio da luz

aquieta todos os alaridos
comove todos os sentidos

trama pressentida
da nudez das horas

helenice rocha

terça-feira, 6 de setembro de 2011

convicção

tenho a convicção da dúvida
diáspora de inocentes certezas
o sentimento do tempo
pássaro mudo frente às
exatas humanas melodias
ergue-se monumental
calando compassos e euforias
tudo passa
veloz ou lentamente
o riso tem a geometria do segundo

helenice rocha
as palavras

um fio de nada
me mobiliza
aragem de pássaros no cio
um brilho na vala me seduz
a dança dos abismos me arrasa
sonho amavios
recolho falas
estiletes e feridas de percurso
na minha bela viagem de alvíssaras
na antiga voragem
das palabras

helenice rocha