segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Noites Ensolaradas

Noite Ensolarada Pensando na minha doce interlocução com papai,nas estradas de Minas,no escritório lá de casa,pelas madrugadas,lembro-me dele me dizer que,o que a maioria dos músicos pensa que é desafinação,é a capacidade de ouvir outros sons Então,íamos da escala cromática do século dezoito e tentávamos ouvir os Comas Ele me dizia que os Africanos,os Indianos têm uma percepção dos comas,que sãos os sons que estão entre os semitonsIsto me remete muito às Inxcelências,aos cantares do Rosário.....mas conhecíamos a linguagen da convenção Européia Estudamos Villa Lobos,Radamés,que dedicou dois concertos a ele,Kachaturian,Daniele Zanetovich,Bartok,Malcoln Arnold....Ele tocou toda a vanguarda do século vinte que conseguiu transcrever para a harmônicaTinha o cabelo todo enroladinho,muito moreno,parecia um hinduMuito lindoTrabalhamos exatamente vinte anos(1961 à 1982) ,a noite toda,com análise musicalMeus irmãos e eu viajámos muito com ele pelas estradas de Minas Claudio era lourinho Tinha o apelido de garrafinha de leite Minha mãe me disse uma vez que achava lindo ver os dois saindo de madrugada juntos,para as estradas Um lourinho de três aninhos e um lindo moreno,introspectivo,intelectualAlgumas vezes fomos denunciados porque fazíamos música de madrugada Toda a vizinhança amava a música dele mas um dos vizinhos não gostava Aí,minha prima falava,Tio Aluísio,o fulano chamou a polícia A gente esperava os homi passarem e começava tudo de novoAquele termo do Vianinha tá errado......Dura lex Sed Lex,no cabelo só gumex....Nós somos mestiços de indígenas,africanos,portugueses Eu pareço uuma portuguesinha de fado Mas grande parte dos policiais linha dura da década de setenta tinha origem européia,alguns louros,de olhos azuis.Claudio,meu lourinho amado,hoje com o cabelo acastanhado,era um espírito tão simples que ,aprendendo com papai a amar as estradas,decidiu que,quando crescesse,queria ser caminhoneiroMeu pai tinha um xará,um homônimo,advogado.Nunca o conhecemos pessoalmenteAo que parece foi advogado de uma grande empresa aéreaBem,cá estamosMeu pai me explicou a sereiedade da música de João Gilberto,(O desafinado) porque,do seu ponto de vista induzia os músicos a pensar o som além da escala cromática,a perceber os Comas,Quero fazer uma ponte entre Arte e Ciência mas Deus não fez o mundo em um dia Vou aos pouquinhos .....Como dizia meu orientador de Mestrado,é preferivel escrever quinze minutos todo dia do que dez horas em um dia e largar tudo o restante do mês....falava no Eclesiastes que é uma obra prima de Lírica.......Beijin,Beijin,,,,,Beijin....prá quem lê e noite,para quem lê de dia, ou nas lindas manhãs vesperais

Pardais

Pardais Amo os pardais de janeiro........ no asfalto,a geometria dos começos........ o primeiro sol do dia inaugural....... o ano porvindouro....... e os pardais....... teorema de fragilidsde e abandono....... sem pedigree....... alegrando os ares....... as árvores,as ruas por um estado de espírito singular....... amo os pardais de janeiro....... sinal de que a cidade vige....... as lavadeiras cantam....... as mães embalam....... amo os pardais de janeiro....... de fevereiro....... de março....... quando as chuvas declaram água...... e os pardais declaram....... presença....... Helenice Maria Reis Rocha

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

AMIGO

Amigo Reminiscências dançam nas vétebras da memória....... as salas do tempo trazem o amigo...... que sobe a rua cantando...... vou com ele...... aprendo a música...... paralelepípedos e ladeiras crestadas de sol........ cantamos....... conversamos pelas madrugadas...... a impossível síntese da pedra filosofal...... amamos........ cada permanência branda de discreta tolerância........ quem ama o amigo não tolera,permite......... leve nuance de alteridade branda....... e as ruas se esvaem ao som de um canto a dois........ até sumir numa saudade........ Helenice Maria Reis Rocha

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

PAZ E AMOR

Paz e Amor Quando substituimos o desejo por um objeto que o represente estamos fetchizando.Há pessoas que gozam só com o tamanho dos pés de alguém.Se amamos por uma escolha religiosa ou cultural,estamos fectchizando também.O amor é um valor em si.Não importa em que Igreja ou Sinagoga eu ore.O que importa é que estou orando.Entendo a oração como um profundo rito orgiástico no qual se verbalisam desejos.E desejos bons.Se somos feitos do mesmo barro podemos beber água de várias fontes.Olho o céu estrelado e me lembro do Tio Lúcio.Tínhamos uma doce comunhão com tudo o que é vivo. Passávamos manhãs inteiras no jardim da vovó observando as joaninhas,as pequeninas teias de aranha,formigas....as vezes um flilete de sol batia nos cabelos dele e ele se iluminava todo.Morreu com um estranho câncer que começou na boca.Este é o grande mistério da existência.Pessoas em harmonia com o amor,com a vida serem tragadas por este tipo de morte.Se as religiões fetichizam o que é um valor em si(o amor,a vida)podem também ter um poder de ciência através da verbalização oralisada de desesjos profundos da humanidade....Desejos de PAZ,de PRAZER,de VIDA,AMOR,que verbalisados,acionam os neurônios e se transformam em estados de espírito que curam,em ações que salvam.Helenice Maria Reis Rocha

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mente

Mente Se as emoções que sentimos alteram o funcionamento dos neurônios,é provável que possamos decodificar que tipo de emoção provoca qual tipo de alteração fsiológica do neurônio e o que acontece com as moléculas do corpo em face deste tipo de informação.Por exemplo,sinto uma profunda ternura por uma criança:que interações acontecem,em face disto,com relação ao interior dos neurônios E,neste momento,que interações estão acontecendo dentro da estrutura molecular,tomando como corpus,uma parte do organismo e assim sucessivamente até mapear todo o corpoÉ necessário saber que região do cérebro responde à um sentimento leve como a ternura

Gil e as Dunas Brancas

O Primeiro contato que tive com Gil,devia ter uns desessete anos Ele subiu a rua cantando...."eu venho das dunas brancas....onde eu queria ficar....estendo os olhos cansados....por onde a vista alcançar...."Fui atrás dele ,andamos um pouco Pedi a ele que me ensinasse aquela canção Nos últimos anos chegamos a conversar sobre como descobrir que informação emocional leva a informação do câncer para os neurônios e o que acontece com os neurônios diante desta informação.Aí,me pergunto.....se seria possível modoficar a informação e mudar a mensagem que os neurônios estariam levando para o resto do corpo.Gil os neurônios e eu no meio da madrugadaGil fez o elogio da alegria o tempo todo Mas uma alegria vinda de dentro do coração,até sem exteriorização às vezes Rimos muito pelas madrugadas Papai,Katinha,Gil e eu....As farinhas da casa acabaram.....Estou esperando meu irmão....Saudade

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A Psicanálise e a Morte

A psicanálise não encontra representações para a morte.Portanto,nunca me imaginei com câncer mas acabo de retirar um em meu seio.E tenho que fazer cinco meses de quimioterapia.E tem mais,tem um buraquinho que não fecha depois da mastectomia parcial que fiz e se começar a quimioterapia com este buraquinho aberto pode se instalar aí uma infecção fatal.Estou entregue ao bom senso dos médicos.Mesmo assim,aqui na casa do meu irmão,fico identificando as escalas que os passarinhos cantam debaixo da janela.O câncer já foi retirado,meu seio está livre.Aguardo.Desejo ardentemente viver.Tenho quase sessenta anos,vivi uma vida meio alternativa,sou professora,fui apresentando meu trabalho em congressos internacionais Tenho várias publicações intercaladas entre estados brasileiros e EuropaAcordo de manhã sob a luz do olhar doce e sério de meu irmão me aconselhando a dormir mais um pouquinhoMinha cunhada me recebeu de braços abertos,uma grande alma.Mas tem o buraquinho com sua possibilidade de ser janela aberta prá infecção.Ada,minha prima,me disse uma vez que a vida é uma questão de abrir a janela certa.Quero acreditar na vida,quero acreditar no bom senso dos médicos.Tem mais não Helenice Maria Reis Rocha